São Paulo, Agosto de 2025 – As previsões para o 2o semestre do Comex brasileiro e global são ambíguas, considerando os acertos da DigiComex-Geravalor sobre o atual contexto socioeconômico, agora mais somatizados com acontecimentos ainda mais complexos e desafiadores, ao mesmo tempo que as oportunidades surgem no horizonte estratégico dos negócios de forma desordenada, rápida e imprevisível, capitalizando as inteligências artificial e humana que dependem do cognitivismo dos profissionais!
Se até então, as guerras atrapalhavam a maioria dos negócios, agora são desafios diários que impedem o trânsito de mercadorias e amplificam os problemas econômicos que afligem várias nações. Em 2025 tem uma guerra tarifária, guerras físicas e um avanço da inteligência artificial que tem atingido profissionais e empresas que não investiram massivamente em treinamento tecnológico, mas o fato é que até 2026, focar em estratégias flexíveis e ágeis, é participar do grupo de empresas que lideram cada segmento.
Empresas brasileiras já estão dando férias coletivas para os colaboradores diante desse desafio. Um exemplo foi publicado no Portal G1, onde uma exportadora de produtos de madeira de Santa Catarina que envia aproximadamente 65 contêineres para os EUA mensalmente e com 60 anos de história. Segundo o CEO do Grupo Ipumirim, João Jairo Canfield: “A gente está aguardando o posicionamento de ambos os governos. Acredito que deva existir bom senso neste momento para preservar os empregos que possa dar continuidade aos negócios o mais rápido possível”.
COMO ESSE CENÁRIO AFETA O BRASIL?
O famoso suco de laranja brasileiro é afetado como foi nos anos 1980, quando a concorrência com a Flórida, reduziu as exportações brasileiras e fazendeiros quebraram, mas agora o problema para quem planta e exporta laranjas é outro porque conforme publicado na CNN, a safra atual representa 41,7% das exportações brasileiras de suco de laranja ou US$1,31 bilhão em faturamento, o que segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos – CitrusBR – a tarifa de 50% representa 533% de aumento sobre os US$ 415 por tonelada que já foram cobrados sobre o produto brasileiro, ou seja, “Trata-se de uma condição insustentável para o setor, que não possui margem para absorver esse tipo de impacto”.
O Ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, que também é Vice Presidente do Brasil afirmou que o trabalho conjunto com empresas brasileiras e americanas dá força às negociações para reverter as tarifas antes do prazo anunciado pelos EUA. Ele disse que: “Nós queremos todo mundo unido para resolver essa questão. E as empresas têm um papel importante, tanto as brasileiras, que aliás tem empresa brasileira que tem indústria nos Estados Unidos, quanto as empresas americanas. A General Motors comemorou esse ano, participei do seu centenário no Brasil. A Johnson & Johnson tem 90 anos, a Caterpillar tem 70 anos, muitas delas exportam para os Estados Unidos”. Vale ressaltar que o encontro também contou com outras grandes empresas como Dow, Sylvamo e John Deere!
Diante das tentativas estratégicas do governo brasileiro e das guerras na Ucrânia, Rússia, Israel e Palestina, os fretes internacionais têm seus valores ainda mais inflados, elevando preços e custos de produtos, problemas nas cadeias de suprimentos e na oscilação cambial. No Brasil esses conflitos e tensões geopolíticas aumentam os preços de commodities como petróleo, gás, trigo e fertilizantes e afetam os custos de produção e o preço final de diversos produtos importados e exportados.
O agronegócio brasileiro também é diretamente afetado pelas guerras porque a Ucrânia e a Rússia são exportadores concorrentes de grãos como trigo e milho, e fertilizantes, porém estão em guerra, criando oportunidades únicas para exportadores do Brasil aproveitarem e diversificar ainda mais os mercados, reduzindo a dependência mercadológica dos EUA e evitando países que estejam em guerra.
Para complicar, no Brasil também estamos falando de greves, operações “padrão” e alterações significativas nos processos, procedimentos e sistemas das importações como o Catálogo de Produtos da DUIMP que desafia empresas que dependem de pequenas margens de lucro que são praticamente imprevisíveis com a conversão dos Ex-Tarifários e Destaques das NCMs para Atributos da DUIMP em conjunto com a reforma tributária, criando um horizonte nebuloso sobre algumas vantagens que atualmente são apuradas sobre por exemplo, o ICMS que varia de estado para estado, ou seja, que representam uma pequena margem de lucro.
ALERTAS ESTRATÉGICOS:
1. A diversificação de mercados para exportadores brasileiros não será por milagre, ela é lenta, arriscada e altamente custosa porque exige adaptações em embalagens, logística internacional, certificações e até ajustes culturais. Exportadores levam até 36 meses para conquistar um novo mercado, incluindo barreiras técnicas, comerciais e legislativas. O que é um esforço estrategicamente enorme que reduz a dependência de poucos destinos, aumentando a resiliência diante de choques globais;
2. Medidas como fomento de pequenos exportadores não traz resultados imediatos que infelizmente são os mais necessários nesse cenário global que muda rapidamente e por mais que seja vital para ampliar a base do comex brasileiro porque assim como os grandes exportadores enfrentam longos ciclos e altos custos para desbravar novos mercados, os pequenos ainda precisam vencer barreiras estruturais internas antes mesmo de pensar em internacionalização. Essa assimetria reforça a urgência de políticas mais ágeis, conectadas e de longo prazo que preparem exportadores brasileiros iniciantes de forma consistente e sustentável para responder com velocidade às transformações globais e digitais;
3. As tarifas de 50% dos EUA estão obrigando o governo brasileiro a modernizar regimes especiais de fomento às exportações como o Drawback e o Reintegra que vinha gradativamente deixando de ser usado por causa dos baixos retornos financeiros para os exportadores do Brasil, criando um alívio a curto prazo para para empresas que vende produtos internacionalmente com grande expressão mercadológica, infelizmente diferente dos pequenos exportadores que enfrentam o longo e complexo caminho da internacionalização.
DICAS PARA LIDERAR SEU SEGMENTO:
1. Focar em estratégias flexíveis e ágeis, é participar do grupo de empresas líderes de cada segmento; incluindo processos e procedimentos focados em responder à mudanças bruscas e repentinas, mas também contar com softwares de alta tecnologia, flexíveis, visuais e que automatizam todas as operações, é potencializar a gestão através da inteligência de dados que é vital para empresas e profissionais que estão capitalizando as inteligências artificial e humana convergidas em busca dos resultados e targets alinhados com o planejamento do board da sua empresa;
2. A necessidade de implementar sistemas simples, rápidos, conectados, flexíveis e visuais de comércio exterior para apurarem dados de importação e exportação com foco em atingir os resultados de economia de impostos que fazem parte da expectativa dos Sponsors de projetos como os de Drawback, direciona as empresas para inovarem suas estratégias. Imagina ter que trocar de sistema de importação e exportação, para só depois começarem a operar com Drawback? Isso é um impasse surreal de tecnologia no mercado brasileiro;
3. Empresas flexíveis e ágeis também já estão atuando em duas frentes: Estão negociando “pessoalmente”, ou seja, exclusivamente com seus compradores importadores nos EUA para ajustarem valores e entregas, permitindo a continuidade das vendas mesmo que com margens de lucros menores e existem até casos como os da empresa brasileira de óculos e acessórios Chilli Beans que deixará de usar o dólar americano em suas transações com fornecedores chineses para utilizar o yuan, aproveitando sua relação de mais de 25 anos com fornecedores chineses.
Corroborando os alertas e dicas acima, a Chilli Beans tem feito a lição de casa, ou seja, expandindo a presença na Ásia, principalmente na Indonésia, onde já têm 10 pontos de venda e também diversificou a linha de produtos, lançando caixas de som, fones de ouvido e bebidas, além dos óculos e relógios. Segundo o fundador e CEO, Caito Maia: “Não vamos mais usar o dólar em nossos negócios com a China”.
Com as guerras impactando fretes, preços e acesso a insumos, quem espera, perde. Quem age com visão, lidera seu segmento. O horizonte é desafiador, mas quem foca em tecnologia e estratégia, a visão futura é promissora – principalmente para as empresas que entendem o mundo e falam sua língua – com fluência digital.
FONTES:
[*] Alexandre Gera é Diretor-Executivo e um dos Fundadores da DigiComex. O executivo conta com mais de 30 anos de experiência no segmento de softwares de comex, incluindo passagens marcantes pela Vastera [ex Bergen], Softway [atual Thomson Reuters] e Sonda IT como um dos Gestores do aplicativo SAP-CE, 1o ADD-ON da SAP no Brasil e 1o Software de Comex homologado oficialmente pela Fabricante Alemã de ERPs.