O Estreito de Bab el-Mandeb é o novo Ormuz? Quais impactos no comex global e do Brasil?

O Estreito de Bab el-Mandeb é o novo Ormuz e quase ninguém no Brasil está prestando atenção!
Se você atua com importação, exportação, logística ou supply chain, este é um daqueles momentos que exigem posicionamento — não opinião. Leia o artigo completo e entenda o impacto real no comex global e no Brasil

São Paulo, Abril de 2026 – Com quatro anos de guerra entre a Rússia e a Ucrânia, potencializada agora com mais de um mês do conflito dos EUA, Israel e Irã, novos desdobramentos começam a complicar ainda mais o cenário que já era complexo para quem é de comex e está preocupado com a economia brasileira e global, principalmente em 2026, onde aqui no Brasil teremos eleições estaduais e federal, junto com a copa do mundo de futebol, a reforma tributária e a nova lei do catálogo de produtos da DUIMP no PUCOMEX (Portal Único de Comércio Exterior – Siscomex).

Mas agora tem um problema a mais, além do Estreito de Ormuz praticamente fechado e da escalada do preço do petróleo que já reflete nos fretes internacionais, nacionais, na economia global e também aqui no Brasil com aumento da gasolina e do diesel que afeta diretamente o preço de todas as mercadorias porque os transportes que irrigam a economia brasileira são majoritariamente rodoviários – também estamos falando do Estreito de Bab el-Mandeb – que “conecta” o Mar Vermelho ao Oceano Índico e em um mundo cada vez mais dependente de cadeias logísticas just-in-time, este ponto geográfico carrega um peso desproporcional porque segundo a Reuters, Bloomberg, CNN e Exame, cerca de 10% a 12% do comércio mundial passa pelo Estreito de Bab el-Mandeb, incluindo petróleo, gás, grãos, fertilizantes, manufaturados e insumos críticos para tecnologia.

Isso acontece porque os Houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, utilizam drones e mísseis para atacar navios comerciais no Estreito de Bab el-Mandeb que é uma rota que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, e é vital para o comércio global e transporte de energia (petróleo/gás) entre Ásia e Europa. O grupo ameaça bloquear esta passagem estratégica como retaliação ao conflito de Israel, transformando um dos corredores mais movimentados do mundo em uma zona de alto risco, ameaçando o fechamento do “Portão das Lágrimas” e fazendo com que os navios desviem pelo Cabo da Boa Esperança, aumentado custos de frete, gerando atrasos e pressionando o preço do petróleo e de produtos globais.

O Estreito de Bab el-Mandeb funciona como uma válvula de pressão entre três eixos:

Canal de Suez -> Europa

Estreito de Ormuz -> Golfo Pérsico

Ásia <-> Europa (via Mar Vermelho)

Conectando o Canal de Suez, Estreito de Ormuz, Irã, Arábia Saudita, Egito, Mar Vermelho, Omã, Iêmen e o Oceano Índico, indica que quaisquer problemas em Bab el-Mandeb cria um efeito dominó com navios evitando a região, rotas desviadas pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando tempo de viagem em até 15 dias, valor dos fretes e criando uma escalada silenciosa com impacto real por causa da convergência de múltiplas tensões: intensificação de conflitos envolvendo o Irã, instabilidade persistente no Iêmen, com ataques a rotas marítimas, pressão geopolítica sobre Arábia Saudita e Omã e a vulnerabilidade logística do Egito (via Suez).

Relatórios recentes de Reuters e Bloomberg indicam: Aumento no custo de seguros marítimos (war risk premiums), Redução do tráfego pelo Mar Vermelho, reconfiguração emergencial de cadeias logísticas globais, ou seja, em termos práticos: o mundo está pagando mais caro para transportar tudo, potencializando um efeito cascata com a guerra atingindo setores invisíveis e essenciais porque não atinge apenas o petróleo, mas toda a economia real com:

1. Energia e fertilizantes (Amônia -> Alimentos);

2. Aviação (Querosene -> Passagens aéreas);

3. Tecnologia (Gás hélio -> Chips) Hélio é essencial para resfriamento na produção de chips;

4. Indústria (Petroquímicos -> Plásticos e vestuário), Plásticos, fibras sintéticas e embalagens derivam do petróleo; e

5. Base energética (Carvão -> Fornos e aquecimento), ainda essencial para siderurgia e energia em diversos países, principalmente na Europa, fazendo com o que presidente norte-americano Donald Trump tenha publicado em sua própria rede social: “Todos aqueles países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Hormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, eu tenho uma sugestão para vocês: Número 1, comprem dos EUA, nós temos bastante, e Número 2, criem um pouco de coragem atrasada, vão ao Estreito e simplesmente TOMEM. Vocês terão que começar a aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão lá para ajudar vocês nunca mais, assim como vocês não estavam lá para nós. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil está feita. Vão buscar seu próprio petróleo!”

O padrão histórico quando a gasolina dispara alerta com indicadores que traduzem crises geopolíticas em tempo real: o preço da gasolina e, revendo o passado, é possível perceber que eventos que causaram grandes altas desde anos 2000 e que consistem em:

Mar/2026 – Escalada envolvendo o Irã e rotas marítimas

Mar/2022 – Início da Guerra na Ucrânia

Set/2005 – Furacão Katrina

Jun/2009 – Corte de produção da OPEP

Abr/2006 – Crise nuclear do Irã

Mar/2007 – Superciclo das commodities

Abr/2002 – Guerra do Iraque (início da escalada)

Mar/2000 – Corte de produção da OPEP

Mar/2011 – Primavera Árabe

Resumindo, o risco de oferta aumenta o preço do petróleo exponenciando a inflação global, fazendo com o que o risco em Bab el-Mandeb não seja apenas “mais uma crise”, porque representa três mudanças estruturais:

1. O fim da logística previsível: Rotas fixas estão sendo substituídas por logística adaptativa de risco.

2. O retorno do “prêmio geopolítico”: Energia, transporte e commodities voltam a carregar um custo invisível: o risco de guerra.

3. A inflação estrutural disfarçada: Mesmo sem choques visíveis, os custos logísticos permanecem elevados – contaminando preços por meses (ou anos).

O Estreito de Bab el-Mandeb é hoje o ponto de encontro entre a Geopolítica, Energia, Logística e a Inflação e quando esse tipo de convergência acontece, o impacto não fica restrito ao noticiário – ele aparece no combustível, no frete, no alimento e, inevitavelmente, no caixa das empresas, ou seja, não é apenas uma crise regional, é um reajuste global de custos em tempo real porque conecta o Canal de Suez ao Estreito de Ormuz, passando pelo Mar Vermelho e virou um dos maiores gargalos geopolíticos de 2026, criando um cenário ainda mais imprevisível com o aumento da necessidade de previsibilidade logística para empresas que não adotam soluções como a DigiComex, o retorno do custo invisível por causa da geopolítica é uma inflação estrutural silenciosa sendo construída!

E a pergunta direta para quem decide é: Se o seu custo logístico subir 20–40% nos próximos meses, sua empresa absorve, repassa ou perde margem? Você sabe que no cenário atual, quem ganha, não é quem reage mais rápido, mas sim quem enxerga antes.

Como criar rapidamente novas estratégias, rotas, ter rastreamento total das mercadorias importadas, exportadas, incluindo custos e também prever novas reordenações logísticas e de comex é o que a DigiComex apoia seus Clientes, conectando todos os dados e gerando insights poderosos para decisões ainda mais rápidas e exatas através de uma gestão visual e uma flexibilidade inédita no segmento de softwares de comércio exterior.

www.digicomex.com

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[*] Alexandre Gera é Diretor-Executivo e um dos Fundadores da DigiComex. O executivo conta com mais de 30 anos de experiência no segmento de softwares de comex, incluindo passagens marcantes pela Vastera [ex Bergen], Softway [atual Thomson Reuters] e Sonda IT como um dos Gestores do aplicativo SAP-CE, 1o ADD-ON da SAP no Brasil e 1o Software de Comex homologado oficialmente pela Fabricante Alemã de ERPs.

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