São Paulo, Maio de 2026 – Mesmo que um cessar-fogo definitivo entre EUA, Israel e Irã fosse anunciado hoje, o efeito sobre inflação, combustíveis, fretes internacionais e energia dificilmente desapareceria em semanas porque o Estreito de Ormuz é um corredor marítimo entre o Irã e Omã por onde passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia – algo como 20% do consumo global de petróleo e aproximadamente 25% do comércio marítimo mundial de petróleo.
Quando Ormuz desacelera, o mundo inteiro paga e acreditar que a paz imediata é sinônimo de petróleo barato imediatamente é praticamente uma ilusão porque os mercados energéticos funcionam como cadeias logísticas e quem é de comex sabe: atraso no embarque não termina quando o navio parte; congestionamento portuário continua semanas depois; estoque precisa ser recomposto; contratos futuros permanecem caros; seguradoras mantêm prêmio elevado; operadores continuam precificando risco.
Com o petróleo é a mesma coisa, ou seja, mesmo com o fim das guerras, ainda haveria: recomposição de estoques estratégicos; normalização do tráfego marítimo; redução gradual dos prêmios de seguro naval; renegociação de contratos futuros; queda progressiva do custo do diesel, bunker fuel e derivados.
A própria Agência Internacional de Energia indica que a retomada dos fluxos em Ormuz é a variável mais importante para aliviar pressão sobre preços e economia global, mas o processo de recuperação ocorre em meses, não dias, criando um panorama imprevisível de inflação, porém quando a visão estratégica é voltada para as crises anteriores é possível afirmar que em um cenário otimista com cessar-fogo estável e o Estreito de Ormuz normalizado rapidamente isso ocorreria de 3 a 6 meses com impactos em: combustíveis ainda pressionados; fretes internacionais acima da média; inflação industrial persistente; energia mais cara para setores intensivos.
Já em um cenário intermediário onde a tensão continua embasando um risco geopolítico elevado, esse tempo se eleva para 6 até 12 meses com efeitos como: petróleo mantendo prêmio geopolítico; inflação global resistente; juros altos por mais tempo; desaceleração econômica.
Em um pior cenário é possível prever que uma possível trégua sem estabilidade, demoraria de 12 a 24 meses para normalizar as economias, isso sem contar a inflação global natural em um mundo imprevisível com possíveis consequências como nova escalada do petróleo, choque energético prolongado e uma inflação semelhante a ciclos pós-crises energéticas históricas.
Analistas e especialistas em energia apontam que a recuperação do mercado será apenas em 2027, ou seja, o petróleo sobe, mas o efeito real aparece depois porque quando o preço do barril sobe hoje, o impacto costuma aparecer em cadeia: Petróleo → Combustível → Frete → Produção → Importação → Supermercado → Inflação, atingindo inclusive produtos que aparentemente não tem conexão entre si como alimentos, eletrônicos, fertilizantes, embalagens que ficam mais caros.
Os fertilizantes são outro ponto de atenção porque uma boa parte do comex de fertilizantes depende de rotas ligadas ao Golfo Pérsico e essa pressão logística significa potencial aumento de custo agrícola meses depois. Aqui no Brasil existem vantagens como produção relevante de petróleo, matriz energética relativamente diversificada e forte participação hidrelétrica, mas também possui vulnerabilidades: dependência de diesel, custo logístico rodoviário elevado, indústria ligada a insumos importados e fertilizantes externos, ou seja, o Brasil raramente escapa totalmente dos choques energéticos globais.
A pergunta para as empresas de comércio exterior não é: “Quando a guerra acaba?”, mas sim “Quando os custos logísticos voltam ao normal?”. Por que são coisas diferentes, fazendo com que empresas de importação, exportação, comissárias de despachos aduaneiros, operadores logísticos e indústrias deveriam monitorar continuamente o preço do Brent e WTI, movimentação no Estreito de Ormuz, custo do bunker marítimo, fretes internacionais, seguros de carga, disponibilidade de contêineres e estoques energéticos globais.
O fato é que se a guerra acabasse hoje, a manchete e o mundo mudariam imediatamente, mas os preços, não, já que a inflação costuma chegar atrasada, porém o alívio também e em crises energéticas, o cessar-fogo encerra o conflito militar, só que o mercado continua negociando medo por vários meses – às vezes anos, além do quê, quem é do comex sabe que o custo invisível sempre aparece depois!
Soluções como a DigiComex – com tecnologia de ponta e IA embarcada – permitem que as empresas que adotam a solução tenha visibilidade em tempo real, redirecionando estratégias que antecipam decisões de forma mais exata e rápida para manterem seus fluxos operacionais e financeiros focados no planejamento realizado com o board e os investidores através de uma gestão visual, flexível e integrada com automatizações que reduzem gargalos operacionais, enquanto eliminam custos, riscos e tempo, criando um cenário de gestão alinhada com a realidade do futuro que já vivemos e provavelmente continuaremos a viver pelo menos até o ano que vem.
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[*] Alexandre Gera foi à Intermodal convidado pela Softrack e é Diretor-Executivo e um dos Fundadores da DigiComex. O executivo conta com mais de 30 anos de experiência no segmento de softwares de comex, incluindo passagens marcantes pela Vastera [ex Bergen], Softway [atual Thomson Reuters] e Sonda IT como um dos Gestores do aplicativo SAP-CE, 1o ADD-ON da SAP no Brasil e 1o Software de Comex homologado oficialmente pela Fabricante Alemã de ERPs.
