Tem comex na copa?

Tem comex na copa?
Confira porque tem muito comércio exterior na copa e no futebol!

São Paulo, Junho de 2026 – Há quase uma semana do início da copa do mundo de futebol que move – e pára – o Brasil por causa da paixão nacional pelo futebol, mas também por ser o maior campeão do mundo, publicamos esse artigo exclusivo para compartilhar uma conexão que vai além do amor brasileiro por esse esporte, ou seja, a pergunta é: qual a relação da copa com o comex? Toda e vamos explicar de forma didática, objetiva e clara como essa conexão tem todo o sentido para os torcedores da seleção Canarinho e para os profissionais de comex, logística, finanças, fiscal e TI. Confira a seguir.

A verdade é que a copa começa muito antes do primeiro apito, isso é, antes mesmo da bola rolar, acontecem milhares de operações de comércio exterior por causa dos equipamentos de treinamento, materiais médicos, uniformes, aparelhos de fisioterapia, sistemas de análise de desempenho, drones de monitoramento, equipamentos de transmissão, estruturas temporárias e até alimentos específicos que são exportados e importados entre países.

Boa parte desses equipamentos e suprimentos são importados para os países-sede através de regimes de admissão temporária e exportação temporária que permitem utilizar as mercadorias em eventos internacionais sem a necessidade de nacionalização definitiva, ou seja, resumindo, quando a seleção brasileira desembarca para uma copa do mundo, não leva apenas jogadores, mas sim uma verdadeira operação logística internacional.

Essa operação complexa por trás dos bastidores de um doa maiores ventos do mundo, compreende por exemplo, comida. Sim, porque o arroz, o feijão e a carne brasileira também entram em campo, já que a alimentação de atletas de alto rendimento faz parte da estratégia esportiva, incluindo nutricionistas que trabalham planejando durante meses para manter hábitos alimentares conhecidos pelos jogadores, fazendo com que em muitos casos, alimentos são enviados do Brasil para garantir padrão nutricional, qualidade e adaptação dos atletas.

No caso da seleção brasileira, é óbvio que envolvem produtos como arroz, feijão, café e determinados tipos de carnes utilizados pela comissão técnica para manter a rotina alimentar da delegação e, embora os EUA, Canadá e México tenham uma ampla oferta de alimentos, a logística internacional frequentemente é utilizada para transportar produtos específicos, ingredientes especiais e suplementos utilizados pelas seleções.

Outro vínculo da copa com o comex são as famosas exportações temporárias que é quando os equipamentos “vão e voltam” para o Brasil, compreendendo aparelhos médicos, instrumentos de avaliação física, computadores, câmeras de análise tática e diversos outros ativos que são exportados para utilização durante o torneio e posteriormente retornam ao Brasil como reimportação.

Todas essas operações passam despercebidas pelos torcedores, embora os aficionados por futebol tenham ídolos em outros países e também seguem jogadores e treinadores de outros países que atuam no Brasil – como se fossem “importados” – ou seja, mesmo as pessoas não sendo mercadorias, o mercado do futebol profissional possui enorme relação com operações internacionais por causa das transferências de atletas que movimentam contratos internacionais, pagamentos em moeda estrangeira, contratos de câmbio, remessas financeiras, tributação internacional e acordos entre clubes localizados em diferentes países.

Segundo a FIFA, o mercado global de transferências internacionais movimenta bilhões de dólares anualmente, envolvendo milhares de atletas e clubes espalhados pelo mundo porque o futebol moderno tornou-se uma atividade altamente globalizada com clubes europeus contratando atletas sul-americanos, clubes árabes contratando atletas europeus e clubes brasileiros que recebem recursos do exterior, estimulando as operações financeiras internacionais que passam por bancos, corretoras de câmbio, órgãos reguladores e estruturas típicas do comércio internacional de serviços.

Carlo Ancelotti, por exemplo, é a maior “importação” que simboliza esse contexto porque o Brasil contratou um profissional estrangeiro para prestar serviços no país. O treinador italiano passou a residir no Brasil para exercer sua atividade profissional junto à CBF, mas assim como a cultura italiana é enraizada no Brasil, a cultura brasileira também é exportada, tendo no Pelé a maior representação desse paralelo de interpretação e é claro que depois vieram Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Neymar e agora Vinícius Júnior, ajudando a levar para o mundo uma imagem associada ao futebol, à criatividade, à alegria e à capacidade de formação de talentos brasileiros.

Exportar cultura é um valor intangível que também valem para música, gastronomia, moda, entretenimento e turismo, sendo esse último um verdadeiro exponenciador do ponto de vista econômico, já que o turismo internacional é considerado uma exportação de serviços, ou seja, quando um brasileiro viaja para assistir aos jogos da copa e consome hospedagem, alimentação, transporte e entretenimento no exterior, ocorre uma importação de serviços para o país que recebe esse visitante. Já quando estrangeiros visitam o Brasil em eventos internacionais, ocorre o movimento inverso.

Uma curiosidade é o famoso “voo da muamba” de 1994 que após a conquista do tetracampeonato também nos EUA, em 1994, a delegação brasileira retornou ao país transportando aproximadamente 17 toneladas de bagagem, só que cerca de 15 toneladas eram compostas por produtos adquiridos no exterior por jogadores, dirigentes e integrantes da delegação porque segundo reportagens da época, as mercadorias teriam sido liberadas sem o pagamento dos impostos normalmente cobrados pela legislação brasileira, amplificando uma forte repercussão política e econômica com estimativas de perdas milionárias de arrecadação para os cofres públicos. O caso tornou-se um dos episódios mais emblemáticos da relação entre futebol, política e fiscalização aduaneira no Brasil.

As tecnologias também têm papel fundamental na conexão entre a copa e o comex, principalmente agora em 2026 diante da nova era das inteligências artificiais com a FIFA confirmando a utilização de uma nova geração de tecnologias para arbitragem, análise de desempenho e transmissão dos jogos. Entre elas estão:

  • Football AI Pro;
  • Avatares tridimensionais dos jogadores;
  • Referee View com estabilização por IA;
  • Sistema avançado de impedimento semiautomático;
  • Reconstruções tridimensionais para o VAR;
  • Bola inteligente com sensores embarcados;
  • Infraestrutura global de transmissão baseada em IA.

E o aspecto mais interessante para quem é de comex é que boa parte dessas tecnologias não é produzida nos países-sede. A multinacional chinesa Lenovo é a parceira oficial de tecnologia da FIFA e fornecerá plataformas de inteligência artificial, infraestrutura computacional, avatares digitais e soluções avançadas de análise esportiva. A bola oficial TRIONDA, produzida pela alemã Adidas, incorpora tecnologia de rastreamento em tempo real através de sensores embarcados que enviam centenas de dados por segundo para os sistemas de arbitragem. O sistema de impedimento semiautomático utiliza tecnologias desenvolvidas pela Hawk-Eye, empresa britânica pertencente ao grupo japonês Sony, responsável pelo monitoramento avançado de jogadores e da bola durante as partidas.

Além disso, tecnologias de segurança aérea, incluindo sistemas anti drone desenvolvidos por empresas israelenses, também deverão fazer parte da infraestrutura de proteção de estádios e áreas de grande circulação, deixando claro que mesmo a copa sendo realizada na América do Norte, o evento dependerá intensamente de tecnologias desenvolvidas na China, Alemanha, Reino Unido, Japão e Israel. Mais uma demonstração clara de como as cadeias globais de valor se tornaram indispensáveis para os grandes eventos internacionais.

A Copa do Mundo é muito mais do que futebol, ela é uma das maiores demonstrações práticas de globalização já criadas pela humanidade e é por isso que quem é de comex também merece levantar a taça!

www.digicomex.com

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[*] Alexandre Gera é Diretor-Executivo e um dos Fundadores da DigiComex-Geravalor. O executivo conta com mais de 30 anos de experiência no segmento de softwares de comex, incluindo passagens marcantes pela Vastera [ex Bergen], Softway [atual Thomson Reuters] e Sonda IT como um dos Gestores do aplicativo SAP-CE, 1o ADD-ON da SAP no Brasil e 1o Software de Comex homologado oficialmente pela Fabricante Alemã de ERPs.

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