Porque o Siscomex tem BUG?

Você sabe porque o Siscomex tem BUGs?
Artigo exclusivo da DigiComex-Geravalor explicando de forma clara, objetiva e didática porque acontecem os BUGs no Siscomex/PUCOMEX!

São Paulo, última semana de julho de 2026 – Ops… o Siscomex não está funcionando!! Foi exatamente essa mensagem recebida em vários grupos de profissionais de comércio exterior na manhã de segunda-feira, logo depois da janela de manutenção do Portal Único Siscomex para implantação do novo CNPJ alfanumérico.

Rapidamente apareceram dezenas de mensagens como: “Minha DUIMP não registra.”; “O sistema trava.”; “Meu cliente está cobrando uma posição.”; “Quem vai pagar a armazenagem?”, “E a demurrage?”

Quem trabalha com comex já conhece esse filme. Bastam problemas no Siscomex – hoje chamado de Portal Único de Comércio Exterior (PUCOMEX) – para que toda a cadeia logística sinta os efeitos quase imediatamente. Indústrias deixam de registrar importações, exportadores atrasam embarques, despachantes ficam sem respostas, agentes de carga são pressionados, terminais acumulam cargas e, no final, muitos pagam a conta, menos o governo!

Mas a pergunta que realmente vale milhões é outra: Por que o Siscomex têm BUGs?

A resposta parece simples, mas na verdade é bem complexa porque apesar do governo ter avisado – já que a Receita Federal e a gestão do Portal Único Siscomex divulgaram com antecedência que todos os sistemas de comércio exterior ficariam indisponíveis entre as 7 horas do dia 25 de julho e as 7 horas do dia 27 de julho de 2026 para a migração ao novo CNPJ alfanumérico, incluindo a divulgação de procedimentos de contingência para importação, exportação e desembaraços aduaneiros – profissionais relatam problemas e dificuldades para registros das importações desde o início desta semana. 

Ou seja, a parada não foi uma surpresa. O desafio apareceu justamente depois da volta com diversos operadores relatando dificuldades de validação, integrações interrompidas e comportamentos inesperados em operações específicas. E é justamente aí que mora a grande questão, porque muita gente imagina que desenvolver um sistema gigantesco como o Portal Único seja apenas escrever código, mas não é!

O verdadeiro desafio está em conhecer todas as formas pelas quais milhares de empresas diferentes utilizam esse sistema. Quem trabalha com implantação de ERPs sabe exatamente do que estou falando. Todo projeto começa pelo mapeamento dos fluxos AS-IS, ou seja, como a empresa trabalha hoje. Depois são desenhados os fluxos TO-BE, direcionando como tudo funcionará após a implantação da nova solução.

Até aqui parece simples, mas existe uma etapa que normalmente consome muito mais tempo do que desenvolver e parametrizar o software: a homologação, já que é nela que se descobre se o sistema realmente funciona para todos os cenários de negócio.

Vamos imaginar uma única indústria brasileira. Ela pode importar por exemplo, diretamente, via trading, fazer importação por conta e ordem, admissão temporária, importar amostras, ter Drawback, comprar da China, EUA, Inglaterra, Alemanha, etc. Cada um desses processos possui regras diferentes.

Agora imagine repetir esse exercício para dezenas de milhares de empresas brasileiras, acrescentando órgãos anuentes, Receita Federal, Anvisa, Ministério da Agricultura, Ibama, Exército, transportadoras, recintos alfandegados, agentes marítimos, companhias aéreas, portos, aeroportos, operadores logísticos, despachantes e sistemas privados.

Percebe a complexidade do problema?

É praticamente impossível que qualquer equipe conheça todas as particularidades operacionais existentes em todas as empresas que fazem parte do comércio exterior brasileiro e esse ponto não é uma defesa a favor do Serpro, é um olhar analítico e técnico sob a ótica de quem trabalha há décadas implementando softwares corporativos de comex.

Nosso Diretor-Executivo Alexandre Gera sempre fala que escutou do time do Serpro na época da implementação do Novoex em 2011: “O governo não conhece todos os processos internos de todas as empresas.” E isso continua verdadeiro, já que o Serpro conhece perfeitamente as regras legais, mas ele não sabe como cada importador organiza seus dados e negócios. Por isso que alguns erros só aparecem quando milhares de usuários começam a utilizar uma nova versão simultaneamente!

Para se ter uma ideia, o Brasil registrou 60.115 empresas importadoras ativas e mais de 2,5 milhões de despachos/operações de importação anuais processados por meio do Siscomex e Portal Único (PUCOMEX), conforme dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Receita Federal do Brasil (RFB). Mais de 2,58 milhões de declarações e despachos de importações são processados anualmente nos ambientes informatizados aduaneiros em um ecossistema que conecta de forma integrada dezenas de milhares de empresas privadas, representantes legais, despachantes aduaneiros, transportadores, agentes de carga e operadores portuários, além de servidores públicos de mais de 20 órgãos anuentes do governo federal.

Aliás, isso não acontece apenas no governo. Grandes empresas privadas também passam por isso, como a Microsoft, SAP, Oracle, Salesforce e Google. Todas já publicaram correções emergenciais depois de grandes atualizações.

A diferença é que, quando o Portal Único apresenta uma falha, praticamente toda a cadeia brasileira de comércio exterior sente os impactos ao mesmo tempo. Foi exatamente o que vimos após a implantação do CNPJ alfanumérico. Um exemplo comentado por diversos profissionais foi a dificuldade envolvendo determinadas operações vinculadas a pessoas físicas – ou seja, importações que são registradas diretamente em um CPF. Se um cenário específico não foi contemplado durante a homologação, o problema normalmente só aparece quando aquele fluxo real chega ao ambiente de produção.

É frustrante? Sem dúvida. Era previsível? De certa forma, sim, mas também vale ressaltar que um dos maiores problemas é que quando ocorre uma parada no Portal Único, muitas organizações descobrem que não possuem plano de contingência. O cliente não foi avisado, o fornecedor não recebeu orientação, a diretoria não sabe explicar o atraso, a área comercial continua prometendo datas e a operação fica tentando apagar incêndios porque as perguntas e questionamentos “pegam fogo”: Quem paga a armazenagem? Quem absorve a demurrage? Quem responde ao cliente no exterior? Certamente não é o governo.

Normalmente essa responsabilidade acaba recaindo sobre importadores, exportadores, operadores logísticos e despachantes aduaneiros, que muitas vezes sequer possuem controle ou alguma ação sobre a origem do problema. É justamente nesse momento que tecnologia deixa de ser custo e passa a ser estratégia porque empresas que possuem processos documentados, fluxos homologados, integrações monitoradas, rastreabilidade dos documentos e comunicação automática conseguem reagir muito mais rapidamente a situações como essa.

É exatamente essa filosofia que norteia a DigiComex. Em vez de funcionar apenas como mais um software operacional, a plataforma foi desenvolvida para integrar toda a cadeia de comércio exterior, conectando ERPs, parceiros logísticos, despachantes, transportadores, documentos e processos de negócio em um único ambiente.

Quando uma mudança estrutural como a implantação do CNPJ alfanumérico acontece, a existência de integrações bem projetadas, monitoramento contínuo, automação documental e processos claramente definidos reduz significativamente o retrabalho e facilita a identificação do ponto exato onde ocorreu a interrupção.

Mais recentemente, a incorporação de agentes de Inteligência Artificial parametrizados exclusivamente para cada cliente amplia ainda mais essa capacidade. Em vez de apenas automatizar tarefas repetitivas, a IA pode conferir documentos, identificar inconsistências, acompanhar integrações, validar informações e apoiar as equipes sem abrir mão das regras de compliance e da governança exigidas pelas áreas de TI e de compras ou vendas internacionais.

No fim das contas, talvez a pergunta nunca tenha sido “Por que o Siscomex tem BUG?”, mas sim: Será que empresas, fornecedores de software, operadores logísticos e até os próprios usuários conseguem prever todos os cenários possíveis antes que uma atualização desse tamanho entre em produção? Sim, mas o governo não tem essa visão e nem como homologar todo o sistema com os detalhes digitados pelos usuários ou enviados via sistemas.

A notícia boa é que cada nova implantação ensina algo para todos os envolvidos, principalmente para o governo e as empresas que transformam essas experiências em processos, documentação e automação, ficando cada vez mais preparadas para enfrentar a próxima grande mudança porque a única certeza é que ela virá!

E, se tem uma certeza no comércio exterior brasileiro, é que a transformação digital ainda está apenas começando e não tem volta.

www.digicomex.com

Fontes oficiais:

Portal Único Siscomex – Comunicado “Sistemas nº 013/2026 – Implantação do CNPJ Alfanumérico e impactos nos sistemas de comércio exterior”: [https://www.gov.br/siscomex/pt-br/noticias/noticias-siscomex-sistemas/comunicados/sistemas-no-2026-013](https://www.gov.br/siscomex/pt-br/noticias/noticias-siscomex-sistemas/comunicados/sistemas-no-2026-013?utm_source=chatgpt.com)

Portal Único Siscomex – Comunicado “Sistemas nº 014/2026 – Sistemas aduaneiros impactados decorrentes da implantação do CNPJ Alfanumérico”: [https://www.gov.br/siscomex/pt-br/noticias/noticias-siscomex-sistemas/comunicados/sistemas-no-2026-014](https://www.gov.br/siscomex/pt-br/noticias/noticias-siscomex-sistemas/comunicados/sistemas-no-2026-014?utm_source=chatgpt.com)

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[*] Alexandre Gera é Diretor-Executivo e um dos Fundadores da DigiComex-Geravalor. O executivo conta com mais de 30 anos de experiência no segmento de softwares de comex, incluindo passagens marcantes pela Vastera [ex Bergen], Softway [atual Thomson Reuters] e Sonda IT como um dos Gestores do aplicativo SAP-CE, 1o ADD-ON da SAP no Brasil e 1o Software de Comex homologado oficialmente pela Fabricante Alemã de ERPs.

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